quarta-feira, 13 de outubro de 2010

I'm getting nervous

Falta um mês.

A coisa começa a tomar forma na sua cabeça quando falta um mês. Eu achava mesmo que queria voltar pro Brasil, que as saudades estavam apertando, mas agora tudo muda de figura. Explico:

As coisas na escola nunca estiveram bem. Agora elas estão melhores, o que não significa muita coisa. A notícia boa é que depois dessa semana, faltarão só 7 dias de aula, e vários dos professores vão estar viajando com a turma abaixo. LEIA-SE, horas livres e tempo pra dormir!
Eu já perdi as contas do que escrevi e do que não escrevi e de quantas semanas passaram, mas vou falar mesmo sobre os weekends.
Era uma vez um aniversário que foi comemorado em Groningen, com uma boneca inflável, filme de terror russo e confusão. Sem contar que foi o final de semana da depressão, já que entendemos que nosso tempo chegou ao fim e sabe-se lá quando vamos nos encontrar de novo. Foi uma despedida meio deprê, dessas que não são definitivas, mas todo mundo sabe que duas semanas demoram pra passar, e são só um presságio de que o que vem por aí vai doer muito mais.

Na sexta seguinte cheguei em casa e em 5 minutos estava na estação de trem. Destino: Coevorden. Aniversário das colega holandesa que dão festa com tema de Playboy. Recebi o convite com um coelho e uma Pin-up na frente e pensei 'isso não vai dar certo'. Eu tentei, mas minha cabeça não funciona de acordo com a holandesa e o que eu achei que estava no tema era na verdade porra nenhuma.
Não importa. Foram milhões de abraços e fofocas mil. A gente sabe que sexta feira é só alegria.
Dormi na casa de duas amigas gêmeas e no dia seguinte fui até a cidade encontrar outras. Compras, comida, fofoca. O de sempre, comer, rezar e amar!
Sábado a noite recebi uma carona pra visitar os amigos que não se integram. É morrer de amor por um quarto apertado e fedido, com um computador, uma TV e uma cama, além de 8 pessoas [de estatura holandesa] que tentam se espremer e ignorar toda a situação pra poder conversar. Eis a prova de que não precisa muito pra conseguir uma noite épica, mas jogar Pokemon Stadium é indispensável.
Domingo, como sempre, o dia de chorar. Voltei pra casa na bipolaridade esquizofrênica que já me acostumei, pra enfrentar outra semana de tédio e expectativa.

O final de semana seguinte não me arrisco a contar. Mando um e-mail daqueles mais tarde, já que foi questão de quebrar regras [várias delas] e eu aprendi do jeito errado que não se coloca tudo na internet.

Hoje, quarta feira 13, fiz uma apresentação épica sobre o Brasil, com direito ao é o tchan e tudo! Um fato notável sobre esse lugar é que todas as pessoas aqui se parecem com alguma celebridade. Já achei Beto Bruno, John Lennon, Jack Black, William Becket e so on. Certos passatempos não exigem nada além da imaginação de uma brasileira entediada.
E agora me encontro no meio da semana, esperando a sexta feira pra poder ver os brasileiros de novo e já logo me despedir de verdade de um deles. Guenta, coração, não acredito que já estamos no fim do ano.
Não acredito que já estou me preocupando com fazer malas. É o tipo de data que você achou que NUNCA chegaria, como o aniversário de 18 anos ou terminar o colégio. Acontece com os outros, mas não comigo. Meio surreal sentir a vida começar.

Pois eis que chega roda viva e carrega a roseira pra lá [e minha filosófica depressão também]

beijos de uma suicida em potêncial

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Certas declarações

para um pequeno update.

No último final de semana, além de ficar doente, encontrar brasileiros, conhecer a chamada "Veneza holandesa", conhecer gente nova e todas aquelas coisas as pessoas normalmente gostam de fazer em finais de semana, eu também passei mais de 9h entre trens e ônibus e gastei uma fortuna em passagens. A última parte seria dispensando, se eu não tivesse inventado de visitar minha primeira cidade, o grande império de Coevorden a menor e melhor cidade do mundo!

Mesmo passando só algumas horas e não me afastando muito da estação, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

No caminho de volta, a unica coisa em que eu conseguia pensar era em como esse ano [ou esses primeiros seis meses] foram os melhores que eu já tive. Se por algum acaso meus conselhos são válidos pra alguém, eu aconselho que escolham uma cidade de 15 mil habitantes no meio do nada e lá fiquem. Eu entorto o conceito de que casa só tem uma.

Certas declarações devem ser feitas. Algum dia eu posto de novo - quando algo de interessante acontecer nesse lugar, ou quando parar de chover.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Spread a little something to remember

Depois de passar por Israel, voei até Vienna, Paris e Amsterdam, onde ficamos por uma semana. Fim das férias, estou de volta ao lar, porém, não é o mesmo lar de sempre.

Não sei se eu já expliquei isso aqui, mas como meu intercâmbio era, inicialmente, de apenas seis meses, minha primeira família holandesa não pode me receber por mais tempo e por isso, tive que mudar de casa, família, escola, cidade e vida. E cá estou, começando do 0. De novo.

Quando cheguei em Den Bosch [ou Hertogenbosh ou Rosmalen, chame como preferir] tive uma semana antes das aulas começarem. Direto ao assunto: comprar bicicleta, minha querida maldita.
Levou um tempo, mas eu me acostumei com o bicho novo. Ela é marrom e usada e feia, mas pelo menos é minha e eu posso estourá-la até onde eu quiser. Eba!
Na quinta, eu e minha nova família fomos passar uns dias na praia!
NA HOLANDA TEN PRAYA??!111// sim, tem.

Voltando, terça feira [mais precisamente ontem] teria sido meu primeiro dia na escola. Mas não oficialmente, já que minha mentora decidiu que seria bom ir na introdução da turma 4 e andar de bicicleta, jogar futebol e todas essas coisas que eu sou absolutamente LOUCA por. - JÁ QUE EU SOU DA TURMA 5!
Bom, o dia estava marcado pra começar as 9h e já que sou uma pobre coitada brasileira, ganhei carona de um dos professores. Acontece que estava chovendo, e ninguém me contou que o negócio foi atrasado. Pras 11h.
Quando finalmente chegamos no lugar, a tal da mentora me entregou na mão de um grupinho e lá fiquei. Por sorte do acaso, o tal grupo decidiu ficar sentado o dia todo e não participar das malditas atividades que a escola propos. Acontece que professores e diretores acham que qualquer um abaixo dos 25 anos, adora escalada e paintbal e rolar na lama. Não é bem assim.

Acabado o dia, fiz amigos preguicosos que se dispuseram a me ajudar bastante.
Porém hoje, no meu primeiro dia de REALMENTE AULA, a escola atrasou com meu esquema de aulas e fazendo confusão, me colocaram pra fazer QUÍMICA! JUUSTAMENTE Q-U-Í-M-I-C-A!
Por sorte, foi a única aula que eu tive que fazer no dia todo. Por azar, a mentira decidiu me levar até a sala de aula e me anunciar na frente de 30 desavisados que não dão a mínima pra quem vem e vai. Ela ainda fez o favor de perguntar se alguém GOSTARIA de se VOLUNTARIAR pra me ajudar. Óbvio que 8573489574 pessoas se ofereceram. Há, quem me dera.

Quem se ofereceu foi um colega mais alto que o teto, de óculo e zilhões de trejeitos pouco confiáveis. O tipo de sujeito que você bloqueia no msn. Os fofinhos sentados atrás de mim acharam um belo espetáculo. Acabada a aula agradeci a ajuda e fui embora. Pedalar 7 km até alcançar território neutro: casa.

Fim do dia. Amanhã vou a guerra, versão nº 2.
Beijos químicos

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

De volta ao normal

Na ultimas semanas estive trocando de casas e aprendendo muito sobre os Avrichirs.
Aprendi que tive um tatatatatatatataravo milagreiro que salvou uma populacao, e que ele na verdade era russo.
Descobri que tenho tios-avos, primos de 5o grau e familia ate nao aguentar mais.

Mas, fora isso, tambem fui a Jerusalem, Massada, Mar Morto e tudo que se ha pra ver nesse pais, que por sinal, eh maravilhoso.

O Mar Morto, pra quem nao sabe, e um mar com uma concetracao de sal ridiculamente alta. O chao nao tem areia, mas pedregulhos brancos de sal que foi se acumulando. Ele eh quente, e se a temperatura ambiente era de 36 graus, o mar estava a 40. Nadar nele eh que nem mergulhar em um prato de sopa e virar legume.
Perto disso, fica a montanha de Massada, que eh uma montanha isolada, que tem o tampo liso. A historia da montanha eh super chocante, mas nao vou sair contando tudo [www.google.com]

E Jerusalem, claro! que te faz suar, andar, reclamar, sofrer, mas vale a pena. Os mercados formam o cenario de Aladdin, e a quantidade e tipos de pessoas que batem perna por la, eh melhor que sentar no metro da praca da se e fotografar o dia inteiro.

Os souvenirs sao lindos. Agua da terra sagrada. Terra da terra sagrada. AR da terra sagrada. Eu nao me contive e comprei varios potinhos desses.
Lama do Mar Morto. Piscina do mar morto. TUDO que se tem pra inventar, esse povo inventa. E o pior, inventam e fazem sucesso!

Ah, perto da cidade onde eu estou, tem um museu que se propoe a simular cegueira e surdez. Visitamos a sessao do surdo, onde voce passa mais de uma hora sem usar a audicao, aprendendo um pouco de linguagem de sinais e entendo um outro mundo. Ja que eu nao entendo nada de hebraico, seria meio dificil ir na dos cegos. Nao ver nem ouvir e ser um pouco Hellen Keller.


Acho que por enquanto foi isso. Em alguns dias deixo a terra sagrada e me mando pra Vienna. Ate voltar pra Holanda acho que nao terei acesso a internet.


Beijos surdos

Um pouco fora dos eixos

estando em Israel, ja recebi milhoes e trilhoes de piadas e perguntas estupidas.
Tais quais:
- CE NUM TEM MEDU DE BOMBMAN!!11??
-Tem vida em Israel?
- Falta agua quente em Tel Aviv?
- Suas primas vao de camelo pra escola?

Entao decidi fazer um post um tanto quanto fora dos padroes, pra esclarecer que sim, existe vida em Israel.
Para leigos:
1. A Faixa de Gaza fica DENTRO de Israel, a mais ou menos 2h de Tel Aviv
2. Tel Aviv e todas as cidades que por aqui ficam, sao tao normais quanto Sao Paulo ou Rio de Janeiro
3. Nem toda a populacao de Israel eh ortodoxa. Alias, parte dela nao se apega a religiao nenhuma

Para um pouco menos leigos:
1. Jerusalem eh a capital religiosa de Israel, considerada pelos cidadaos. Tel Aviv e a capital que o resto do mundo considera.
2. Israel fica sim no meio do deserto, mas isso nao significa que as pessoas vivam em tempestades de areia
3. O exercito, apesar de mal julgado por nos - pessoas de fora - nao eh um mal sem fim. Alias, muitos daqueles que NAO podem se juntar ao exercito, se voluntariam. Existem mil tipos de servico, e nem todo mundo vai direto pra campo de batalha. Muitos trabalham em escritorios, hospitais e etc, em servico militar.
4. Programas de TV, museus, restaurantes - tudo que inclui ideias criativas - dao de 10000 a 0 nas brasileiras.
5. A diferenca entre Israel e outros paises, eh apenas o tipo de medo e os problemas de cada um. Se em Sao Paulo temos medo de assalto, no Rio de bala perdida e drogas, e se um dia a bateria do seu celular acabr e sua mae nao conseguir falar com voce, ela vai ficar desesperada, aqui eh a mesma coisa. So que ao inves de se preocupar com violencia e seguranca, eles se preocupam com outras coisas.

Para mim:
1. Uma parte enorme da minha familia mora aqui, e meu pai nasceu aqui. Por isso decidi vir pra ca antes de visitar lugares como Londres ou Praga.
2. Hebraico eh pior que holandes, mas eu vou aprendendo
3. Humus e Falafel sao pratos tipicos, mas eles comem mais sushi e comida italiana que sei la o que
4. Nao, minha familia nao eh ortodoxa, na verdade, mal seguem religiao nenhuma.


pronto, fim da licao. Vou escrever outro post falando da viagem.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ferias e acentos

Antes de qualquer coisa, aviso: prepare-se para um post cheio de erros gramaticais e sem acentos NENHUM!
E a justificativa eh muito simples: teclados israelenses nao tem tantos acentos quanto os brasileiros. Porem, eles levam vantagem, tendo isso: חדגכיגח גכיחגעדכ גכדיעדג
INCRIVEL!

Enfim, eu ando viajando e aproveitando minhas longas ferias de verao na Europa. No momento estou em Israel, mas ja estive em Portugal e estou atrasada pra burro nos relatos. La vamos:
Cheguei em Porto com o Iuri a mais ou menos 3 semanas atras. Nos hospedamos na casa da tia dele, que mora em Leiria. Aquela coisa de turista brasileiro: fomos a Lisboa, Fatima, Porto, comemos bacalhau, tomamos Guarana, falamos mal da Holanda e fomos incrivelmente FRUSTRADOS na hora de procurar algum lugar legal pra passar a noite. Aparentemente, portugueses nao curtem muito o por do sol e se trancam em casa depois de assisti-lo pela televisao. Mas nao se enganem. portugueses sao uma raca absolutamente simpatica, com aquele sotaque maravilhoso.
Certo dia, nos decidimos sair pra praticar o holandes. Entramos em todas as lojas falando Ik hou van jou e coisas do genero. Claro, pq somos muito fodas e PRECISAMOS mostrar isso em publico.
A noite, fomos a um bar, ainda sem falar portugues. Um espanhol, vestido a carater, fez questao de perguntar de onde nos somos. CLARO que eu esqueci que a final da copa do mundo seria HOLANDA X ESPANHA, e respondi com o maior orgulho: NETHERLANDS, BEST COUNTRY EVER! ele me encarou uns 30 segundos, tempo o suficiente pra que eu me lembrasse e tentasse arrumar o estrago: ...are you ready to lose?
tah, perdi o amigo e a coragem pra qualquer coisa. voltamos pra casa, falando portugues, e nunca mais voltamos ao tal do bar.

O resto da viagem a Portugal foi basicamente turismo. No bom sentido, claro, nao quero dizer turismo japones.

Bom, chegando em Israel as 4h30 da manha com 5 horas de atraso, nao consegui encontrar meus tios no aeroporto, me virei e peguei um taxi. O taxista nao entendeu meu sotaque brasileiro e ligou pra minha tia perguntando o endereco. CLARO que ela SURTOU e a familia toda entrou em PANICO, mas a essa altura eu ja tinha conseguido atingir a casa. As 6h da manha voltamos ao aeroporto e voamos pro sul de Israel. Uma cidade chamada Eilat, que fica no meio do deserto e eh chamda de "sin city". eu ainda nao sei o que sin city significa pra eles. acho que nunca vou saber.
Cheguei a casa 2 dias atras e ca estou. Uma das minhas primas vai comecar o exercito domingo, entao estamos no clima de despedida.

Voces nao sabem, mas familia judia eh ooooutro papo. maior delicia!

chega, vou embora.
נקןחםד גק שצםר

segunda-feira, 7 de junho de 2010

segundo copo

Insatisfações holandesas:

1- Holandeses nunca estão satisfeitos com a própria grama, então lotam de estrume pra cheirar bem gostoso
2- Holandeses nunca estão satisfeitos com o tempo, sendo esse um assunto que NUNCA esgota, seja com sua mãe, seja com um taxista
3 - Holandesas nunca estão satisfeitas com seus namorados, mas nunca estão solteiras, pq ninguém quer ficar pra titia, né?
4 - Holandeses não tem money problems, mas nunca estão satisfeitos com preços, então nunca compram nada e ficam reclamando que precisam arranjar um emprego
5 - Holandeses nunca estão satisfeitos com a Alemanha, mas adoram ir até lá para compras
6 - Holandeses nunca estão satisfeitos com suas determinadas cidades, então só falam de sair daqui [a maior parte deles nunca saiu de Drenthe]
7 - Holandeses nunca estão satisfeitos com uma língua só, então criam milhões de dialetos pra deixar tudo mais complicado
8 - Holandeses nunca estão satisfeitos de ouvir a mesma música, então gastam Lady gaga por mais de 6 meses
9 - Holandeses nunca estão satisfeitos com cerveja, então misturam com refrigerante
10 - Holandeses nunca estão satisfeitos com a cor do próprio cabelo, então pintam de todas as cores do arco iris

[este é o segundo post do dia, leia o anterior também]

beijos insatisfeitos

dois copos

segunda feira de férias, com chuva e resfriado.

Para não acumular muita coisa pra contar, vou falar dos meus dois últimos finais de semana, que foram...não sei bem o que eles foram.

enfim:
último final de semana de maio, juntamos as mãos e fomos, em família [tios e prima] ao Pink Pop. Festival de música de três dias, daqueles que você acampa, morre de frio, não toma banho,não vai no banheiro, só come batata frita e café da manhã é cerveja e biscoito.
Sai de casa na quinta a noite, direto pra Klazienaveen, passar a noite na casa dos tios, pra partir cedo na sexta. O festival aconteceu em Landgraaf, que fica bem no sul da Holanda, quase caindo do mapa. Acho que posso dizer que foi o final de semana mais desconfortável da minha vida, mas também o mais feliz. Acho que nunce estive tão feliz, sem interrupção, feliz, feliz, feliz.
Vi shows como Prodigy, Pixies, Mando Diao, Motorhead, Rammstein, John Mayer, Kate Nash, Green Day, Gogol Bordello, Florence and the Machine, Yeasayer, Gossip, Kasabian, Editors e etc.
Agora a surpresa final: apesar de estar na Europa, e os amplificadores não estarem estourados, ou o telão falhando e a produção impecável, preferia milhões de vezes ver tudo isso no Brasil. O povo europeu consegue a façanha de assistir uma banda como Motorhead ou Editors e simplesmente não se mexers, não vibrar, não cantar, não pular. Eles assistem tudo de braços cruzados, como se estivessem ouvindo um sermão do diretor da escola sobre ornitorrincos astecas vivendo no Alaska. Decidi que, como boa brasileira, não iria aderir e segui pulando e gritando. Quantas não foram as vezes que os holandeses tentaram me puxar pro chão, ou me pediram pra "gritar mais baixo", ou mudaram de lugar? Acho que se eu fosse parte de qualquer banda, não iria nunca pra Holanda. Gente sem graça.

Bom, voltando pra minha querida cidade [ou como diria o Raul, pro império faraônico de Coevorden], uma semana curtinha de aula e sexta a noite Schoolfest [fácil tradução]. Era uma festa a fantasia, e o negócio era se vestir de gente famosa. Eu contei 147 lady gagas, 87 Rihannas e algumas ke$has. Eu entrei na onda de ser ridícula e fui de Avril Lavigne. Pelo menos fui a única rebelde sem causa. Prêmio pra Li, que foi de Mad Heater e brilhou demais.
Sábado fomos pra despedida da Léa em Arnhem, e a noite foi ótima, mas o dia foi triste e eu sinto como se já estivesse voltando pro Brasil. Sinceramente, não quero voltar. Não quero messsssmo!
Domingo cheguei em casa doente e assim estou até agora. Arrumei meu armário, trabalhei no meu albúm de memórias e agora estou morrendo de vontade de assisir Christiane F. Não sei pq.

Relatos encerrados, vou pra estação Zoo.
beijos de Berlim

sábado, 22 de maio de 2010

Pra sair do buraco

acho que me superei em atraso dessa vez. eis que maio é um mês de piada para os holandeses, já que temos uma semana de férias de 29 a 7, mais quatro dia livres de 13 a 16 e um final de semana extendido, que é onde me encontro agora.

Mas, voltando muito no tempo, antes do freedom month começar, estive em Berlim com outros intercâmbistas, estive devastando florestas e queimando igrejas. Tá, isso só em teoria.
Mas como ninguém tem saco de ferro, vou contar resumidamente, como anda o mês de maio, que ainda tem muito pra caminhar.

Começou dia 29, véspera do feriado mais importante da Holanda, o dia da rainha. Como boa turista, me arrastei até Amsterdam pra passa o queens day and night na capital da holandesaria. Foi... interessante. Nada como assistir uma multidão vestida de laranja beber até cair, cantando Brasil, lalalalalalala, ou então pedindo todo mundo em casamento [que ao que tudo indica, não é um pedido exêntrico por esses lados].
Ganhei uma carona no dia seguinte, o que me privou de ver o caos nas estações de trem. Grandes festas implicam em apertar o botão de emergência no vagão número dois, e claro [porque não?] caminhar pelos trilhos até que se chegue a estação mais próxima. Não, eu não estava lá pra presenciar os trens parados e a espera de 6h30 para chegar até qualquer cidade, mas mesmo assim, vale lembrar que caos é caos, mesmo no primeiro mundo.
Chegando em casa sexta a noite pra viajar com a família pa Itália no sábado de manhã. A viagem foi ótima, em estilo Wesseling, que não se parece com o Avrichir, mas não necessariamente de um jeito negativo. Nossos interesses divergem muito, e enquanto eu queria exercer meu papel de cult no Vaticano e ver tudo tudo tudo, minha host famillie se interessava mais por outros tipos de atrações. Fim a fim, ao entardecere estavamos todos felizes. Em uma semana passamos por [insert nome da cidade], Roma e Firenze. A Itália é linda, sem mais.

De volta ao lar, com mais três dias de aula e novamente feriado, coloquei minha mochila e minha taiwanesa nas costas e fui a Paris. Ah, mon amour, tenho impressão de que eu era a única que nunca tinha visitado a cidade do amor ainda, mas tirando o atraso, papel de turista bem feito. Pernas pra que te quero e vimos todos os highlights, com guarda chuvas e casaco de inverno.

Agora que o feriado de Pinkster toma lugar, estou em casa, me preparando para um dia confuso, esperando uma ligação alemã e uma carona até Zwolle. Não me perguntem o que tem lá, ninguém teve a decência de me explicar. Só digo que ontem recebi a ligação mais bonitinha de uma das únicas amigAs que tenho no recinto, dizendo que tudo fica melhor quando o Brasil está junto. Ela pode estar me arrastando pra boca do inferno, mas meu coração é de manteiga!

Fora isso, voltando de Paris a primeira coisa que fiz foi subir na balança e checar quantos novos amigos estão zanzando dentro de mim. Quando me falaram que intercâmbio engorda eu não acreditei, mas os números não mentem, Sherlock.

Beijos de uma nova gordinha!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Tradução ao pé da letra

queridos,
pra variar um pouco tenho mil coisas pra contar, preparem o saco de ferro de vocês, que eu preparo as pontas dos meus dedos.

nesse último mês continuei rodando a Holanda pra cima e pra baixo. Visitei Groningen duas vezes, Utrecht, Klazienaveen, Emmen, etc etc etc.

O feriado de páscoa aqui é mais comprido que no Brasil. Os holandeses comemoram tudo duplicado. Dois dias de páscoa, dois dias de natal.. e no segundo dia de festa, nada abre nas cidades, só as lojas de móveis e jardim. VAI SABER! já não entendo mais nada.

Digo que a páscoa começou quinta a noite, happy hour na balada local de Coevorden. Digo que não importa quantas milhões de vezes você vá lá, é sempre bom.
Sexta feira a noite apresentação da Big Band Coevorden, onde um amigo toca baixo. A coisa acabou cedo, rumamos para a casa de outro amigo, a coisa acabou tarde.

Os planos para sábado eram simples: acordar as 9h, ir para a estação de trem, encontrar a Jade no vagão, seguir pra Zwolle e atingir Utrecht. Mas, como nada nessa vida é simples, as coisas não foram tão bem quanto esperadas.
Recebo uma mensagem deseprtador as 7h30 da manhã, "acorda, vamos viajar!". Recebo uma ligação as 8h, "vamos pegar o trem meia hora mais tarde". recebo uma ligação as 9h "a estação de trem da minha cidade não está funcionando hoje, e agora?" recebo uma ligação as 9h15 "vamos para algum lugar mais perto". recebo uma ligação as 9h30 "posso pegar um busão pra sua cidade, mas vai demorar mais de uma hora". recebo uma ligação as 10h "consegui um ônibus mais cedo! me encontra as 11h na estação" saio de casa as 11h pra encontrar a paulista mais perdida do Brasil, e juntas chegamos em Utrecht ao meio dia.
Nosso dia na cidade foi lindo. Não fizemos ABSOLUTAMENTE NADA. choveu como se fosse 2012 e o ponto alto foi achar um bar que se propõe a vender todos os tipos de cerveja que existem. A emoção do dia foi roubar um cardápio. De volta ao lar as 22h, capotar. Mas quando eu digo que o dia foi lindo, não é irônia minha. A cidade é maravilhosae viajar de trem é sempre válido.

Domingo foi dia de família, caçar ovos na casa da vovó, café da manhã, almoço e janta. Segunda foi dia de mofar em casa, no segundo dia de páscoa [?].

Passados dois dias de aula, [terça e quarta] quinta feira começaram as provas, o que significa que estou praticamente de férias. Fiz as provas de física, biologia, inglês, música e matemática. NÃO PERGUNTEM COMO, mas eu fiz.

Sexta, logo depois da terminar a prova de biologia, rumei pra Groningen de novo, encontrar o Iuri e seus amigos, que por sinal são lindos e amores da vida. A noite não foi exatamanete como esperada. Além de cuidar de gente dando PT na festa mais falida da cidade, fui esquecida no centro, sem bicicleta, sem mapa, sem lenço nem documento.
Sábado, eu e o Iuri pegamos o ônibis pra Klazienaveen, comemorar o aniversário do Willian, pai da Jade, meu tio. Domingo mofamos por lá e depois terminei de mofar por aqui.
Hoje é terça e estou com o dia livre pra fazer meu trabalho sobre política, que consiste, basicamente, em traduzir 5 capítulos do livro. A cada frase que eu termino, a coisa faz menos sentido. Se você estava curioso pra saber como o holandês funciona, ei-lo:
Er bestaan afzonderlijke voorzieningen voor bepalde beroepsgroepen, zoals ambtenarem.

tradução: Possíveis benefícios privados no mercado de trabalho, para aqueles que possuem ocupação fixa.
AHAM, CLAUDIA!

me desligo, desesperadamente, para voltar aos meus beneficíos privados, já que minha ocupação é fixa.

beijos políticamente corretos

segunda-feira, 22 de março de 2010

Primavera/Verão

o termometro anda tão positivo que dá vontade de cantar. No primeiro dia de calor subimos direto pros 15ºC. vacilamos um pouquinho com chuva e 8ºC, e agora estabelecemos a média de 11ºC. Tiramos a cestinha de luvas e gorros da porta da frente e passamos o dia guardando roupas de inverno e tirando as de verão. Os jardins estão sendo refeitos, isso significa que a rua toda cheira a coco de vaca, mas é o cheior da primavera, do amor. que lindo!

Bom, costumo escrever de domingo, e como os finais de semana tem sido super corridos, estou dois domingos atrasada, o que significa que tenho muito o que falar.

Final de semana passado fui pra Amsterdam ver os outros intercâmbistas. Brasileiros, belgas, ecuatorianos, etc etc etc. O encontro era sábado, mas eu, meu pai, minhas irmãs e a Jade fomos sexta pra aproveitar a cidade. Red light district, bares mil, churrascaria gauchos, sex shop, sapatos, roupas, Dam Square, casa da Anne Frank, Madame Tussauds, pizzaria, roupas de novo, parque, caminhada, estação, trem, estação, Coevorden.
Cheguei em casa quase meia noite e pela primeira vez na história da Holanda, o domingo seguinte não foi morto! Acontece que em Dalen [5 km daqui] tem um parque aquatico aquecido. Fomos todos, voltamos, pizza, casa dos outros, bicicleta pra cacete. Fim do domingo. Casa e morrer.

Durante a semana é sempre a mesma coisa, então vou pular direto pro último fim de semana, que também não tive tempo de escrever.

Passei a sexta-feira no sotão com as minhas irmãs, salgadinho e grease. A melhor coisa que já fiz na vida foi introduzir a arte dos musicais antigos pras meninas. Agora ao invés de Akon e Pink elas cantam Grease e Mamma Mia. Acho válido.
Sábado cedo fui direto pra estação, visitar a Léa em Duiven. Ela mora em Duiven, mas nos encontramos em Arnhem, que é grande e agitada. Passamos o dia por lá, depois pegamos o trem pra Duiven. [detalhe importante: ´de Arnehm pra Duiven são duas estaçõs, 5 minutos de trem. A passagem de ida e volta custa 2,40. A viagem é tão curta que dentro do trem ninguém checa seu bilhete. Quem é que vai gastar essa fortuna pra nada? Todos clandestinos]
A noite voltamos pra estação pra cidade grande e aproveitar o sábado, De novo, sem bilhete. Acontece que eu sou uma pessoa de sorte e pela primeira vez na vida da NS, o cara que checa bilhetes resolveu passar. Detalhe importante número 2: se você é pego sem bilhete, tem que pagar uma multa de 80 e tantos euros. EU = PÂNICO!
Quando olhei pra trás e vi o bonitinho se aproximando resolvi ir procurar o banheiro e me esconder. Levantei tranquilamente, passei pela anta de uniforme e fui lá pra trás, onde ele já tinha checado todo mundo. Perguntei pra um grupo de meninos que pareciam estar bolando algum plano maligno: "onde é o banheiro?" um deles me olhou rindo e disse "não tem banheiro". EU = PÂNICO. sentei no banco na frente deles e falei "preciso me esconder, não tenho bilhete", ao que eles responderam "nós também!"
2,5 minutos de conversa de extrangeiro: "da onde você vem? que raios você tá fazendo aqui? no Brasil eles falam espanhol?" Desceram na primeira parada, e como holandês é uma coisa linda, me deram a passagem deles. Cheguei sã e salva sem multas em Arnhem. TCHANS!
Só depois fui descobrir que o cara que checa as passagens pegou um clandestino e desceu na primeira estação. Ou seja, ele não teria tido tempo de checar a minha passagem. E eu que achava que a Holanda era um país de respeito.

Domingo, competição de street dance da minha irmã de 13 anos. Não comento.
Cheguei em casa, comi e e capotei as 20h. dó de mim.

beijos clandestinos!

sábado, 6 de março de 2010

What time is it?

summer time! não exatamente.
estavamos felizes vivendo nesse calor insuportavel de 5 graus, mas agora voltamos a odiar a neve e soltar fumacinha pela boca.

Time of our lives!

Semana retrasada tive férias. Não me perguntem pq, do dia 20 ai 28, o norte da Holanda estava completamente livre de estudos. Porém, como meus amigos de escola foram todos pra Polonia com a escola, fiquei triste e só em Coevorden, decidi me virar e não ficar em casa.
Comecei a semana indo pra Stenweeijk [?] ver alguns dos brasileiros. Dois deles, pra ser mais exata, Raul e Eduardo. É ÓTIMO poder falar português, nem que seja só por algumas horas. To ficando craque nessa história de pegar trem, mas que é complicado sair de Coevorden, meu deus... Pra começo de conversa, a estação local só tem dois trilhos. Um deles vai pr Emmen, que é a parada final. O outro vai Zwolle, que já é uma cidade relativamente grande, e da estação de lá, dá pra ir pra qualquer lugar. Ou seja, a não ser que eu estja indo pra Emmen, eu sempre tenho que baldiar em Zwolle e/ou em algum outro lugar.
Terça feira foi dia de ir conhecer a Alemanha [ilegalmente, já que até semana passada meu visto não era permanente e eu não podia cruzar a fronteira.] Mas não fique super animadinhos, a fronteira da Alemanha dica a 2km daqui e não dá nem pra diferenciar a terra nazista da Holanda.
Pq fui até a Alemanha: enquanto meu amigos da escola se divertiam na Polonia, meus amigos de fora ficaram em Coevorden. O Tom, que fazia aniversário, e mora em Emlichheim chamou todas as pessoas que eu não conhecia pra um bed and breakfast. Foi ótimo, conheci 482938434 pessoas novas e mil vezes mais legais. Isso me rendeu um convite pra outra festa em Dalen, que fica a 5 km daqui.
Resultado: um desses novos amigos está apaixonado pela língua portuguesa e me pediu pra ensinar. O outro se ofereceu pra me dar aulas de baixo, o que significa que posso voltar a tocar, e o outro se ofereceu pra me mostrar Groningen, a grande cidade mais badalada da Holanda. LEIA-SE, a vida por aqui é linda.

Sábado de manha acordei e notei que a casa estava muito vazia. Sai do quarto e ouvi uma voz do além me chamando. era minha host mom, doente, assim como minhas duas irmãs, doentes. Aparentemente, tem um vírus passeando por aqui, e tá todo mundo pegando. Mas sem pânico, eu e meu host father continuamos saudaveis. Segunda voltei a ir pra escola, e hoje, sábado, cá estou.

fim dos meus infindaveis relatos!
beijos alemães!

[http://www.youtube.com/user/lilianavrichir?feature=mhw4 - parte 2]

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Quem vai pra Amsterdam..

nunca mais volta. mesmo.

eis então a minha jornada:
sai de casa, de carona, as 8h da manhã, pronta para pegar o trem das 8h25. Pra chegar em Amsterdam saindo de coevorden é preciso:
1) pegar um trem até Zwolle
2) trocar de trem em Zwolle e ir até Amersfoort
3) Trocar de trem em Amersfoort pra Amsterdam central station
a viagem toda demora em torno de duas horas

Chegando na estação de Coevorden fui comprar meu bilhete e qual foi a minha surpresa ao descobrir que a máquina não aceita dinheiro, só moedas, ou cartão holandês, que obviamente eu não tenho. A passagem custa 40 euros e QUEM É QUE TEM 40 EUROS EM MOEDAS? Muito brasileiramente, comecei a pedir ajuda a todas as pessoas que estavam comprando bilhetes, fui até a tourist information e aparentemente, ninguém nunca entra lá e os caras não fazem a menor ideia de que existem turistas em coevorden. Resolvi a situação sozinha, pedi pra usar o cartão de uma menina e paguei de volta em dinheiro. No fim do drama, o trem já estava na estação e eu quase perdi.
Trocar de trem em Zwolle e Amersfoort foi fácil, e logo cheguei na Central Station. Liguei para o Fernando e ele disse que ia demorar mais uns 20 minutos, então sai da estação e fui dar uma volta. Achei a estação super pequena e fácil de encontrar e a cidade extremamente vazia. Estranho, central station não parecia ser no centro.
Quando finalmente o Fernando me liga, ficamos mais de 40 minutos tentando nos encontrar, até que finalmente resolvi pedir informação e descobrir que ESTAVA NA ESTAÇÃO ERRADA. De novo, muito brasileiramente, entrei em pânico.
Fim do drama, cheguei na estação central ao meio dia, sendo que deveria ter chegado as 10h30. Encontrei o Fernando e fomos direto para o McDonalds. Fiquei maravilhada com a cidade, agora sim vi o esteriotipo das drogas e do sexo. Em todo lugar que se entra, toda rua que se anda, todo turista que se vê, tudo envolve maconha e sexo.

Fomos então pra Dam Square, onde ficam as ruas principais e as grandes lojas. Escravizei o Fernando por algumas horas e finalmente consegui comprar coisas que não fossem filmes e cds. As 5h fomos pro museu da Vodka, museu do sexo, museu da maconha e red light district.
Difícil descrever o museu do sexo. Dificíl MESMO. Não quero dizer que é assustador, pq não é essa a palavra. É interessante, isso sim, mas ao mesmo tempo... O lugar tem quatro andares e milhões de salas. Fotos, esculturas, animações, vídeos, tudo tudo tudo que você queria saber sobre sexo mas tinha vergonha de perguntar.
O museu da maconha, por outro lado, é pequeno e não muito interessante. Vale a pena pela loja de conveniência, cheia de sementes e todo tido de planta e o que fazer com ela. O cara da loja também valeu os 9 euros.
A Red light district, infelizmente, está sendo "confiscada" pelo governo, por causa da quantidade de assaltos que tem acontecido por lá. Ñão conseguimos ver quase nada, sem contar que começou a nevar lá pelas 19h e as ruas ficaram vazias. Todo mundo sempre diz que Amsterdam é perigoso e etc, e eu nunca levei a sério, mas agora eu entendi. Muitos muçulmanos, indianos, turcos e etc nas ruas. Sei que os holandeses são preconceituosos, mas de fato é assustador. Muito pick pocket e assalto.

Fim do dia, marchamos de volta para a estação. Embarquei e chegando em Amersfoort, o trem estava quinze minutos atrasado, temperatura baixando e eu mal agasalhada. Após anos de espera, chegamos em Zwolle e eu tinha certeza que tinha perdido o último trem para Coevorden, mas os bonitinhos decidiram que por causa do atraso, eles iam deixar o trem das 10h30 esperando até as 11h30 pra partir. Leia-se, esperei mais de 40 minutos até começar a sair do lugar. Finalmente, chego em Coevorden a meia noite, quando deveria ter chegado as 11h. O Ard estava me esperando, voltamos pra casa e capotei.
Quem vai pra Amsterdam não volta vivo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Há dias

faz dias que não escrevo. Decidi manter o blog, se você recebeu meu e-mail, vai entender rapidinho.

Hoje tivemos sport day. SPORT DAY, TIPO, DIA SÓ PRA ESPORTE NO GINÁSIO! como sou uma grande esportista, me inscrevi no grupo de badminton na esperança de ter que jogar pouco. Na prática, joga-se de duplas, mas os grupos eram quartetos para que os jogadores possam revezar. Tive um pequeno bate papo com meu grupo e deixei bem claro que sou PEPEPEPEPESSIMA e que se eles queriam ganhar, revezem-se sem mim. Acho que nos entendemos bem, pq dos cinco jogos, participie de 2 e só nos minutinhos finais.

Ah, a neve voltou com tudo hoje. A previsão era de uma nevasquinha fraca, mas o mundo congelou de novo. Não preciso nem dizer que saindo do ginásio levei um hiper tombo de bicicleta, acompanhada de dois pentelhos holandeses que fizeram questão de me acompanhar o caminho todo rindo e falando em grande estilo "jij fãll". É fácil misturar holandês com inglês, dificíl é entender.

Fora isso, semana passada fui em uma dessas festas caseiras e fiz questão de filmer todos os presentes em uma tentativa frustrada de falar holandês. assistam: www.youtube.com/lilianavrichir
Vale ainda comentar que as gêmeas [sietske e fena] vieram aqui conhecer a família antes da festa e passaram algum tempo em uma tentativo frustrada de falar português. A única frase que saiu intacta foi ROSCA FRITA. Eu ri por uns 40 minutos sem parar, mas rir sozinha não tem metade da graça.

bom, fico por aqui hoje. Já está ficando tarde!
Beijos fritos

domingo, 31 de janeiro de 2010

First night out - should be something

ok, talvez não seja exatamente a primeira, mas ontem fui pela primeira vez na balada local de Coevorden. Eles chamam de balada, mas é mais um pub com uma pista de dança. O lugar não é pequeno, dois andares, área pra fumantes, pista de dança e bar. Acontece que de finais de semana, a população local vai TODA pra lá, leia-se, 15 mil habitantes.

Ok, do começo: a Li veio pra cá umas 19h. Ela mora a uns 8 km de Coevorden e os pais dela nao queriam que ela viesse de bike muito tarde, então ela veio cedo e voltou pra dormir. Ela é de Taiwan e acho que não tá se dando muito bem com as pessoas daqui, ela é MUITO timida, então achei melhor ajudar.
Bom, saimos de casa umas 23h, e a neve começou umas 22h, leia-se, foi o tempo certinho pras ruas ficarem BRANCAS e CONGELADAS e ESCORREGADIAS e não parou de nevar até hoje de manhã.

Vivas, congeladas e felizes, chegamos no Rembrandt. O lugar é engraçado. Escuro, estreito e comprido, trilhões de bebidas que eu não conhecia e o preço de tudo é dois euros, ou seja, pros padrões locais é bem barato.
O cafofo bomba até umas 4h da manhã. A partir dai as pessoas começam a ir embora, então fiz o mesmo. Meus amigos holandeses SUPER LEGAIS E SUPER FOFOS acharam uma boa ideia acompanhar a brasileira até em casa, só que a estrada estava tão escorregadia que eu resolvi não pedalar, e só andar. Leia-se, andamos quase 2 km na neve, [eu, Li, sietske, kenny e richard]. Eu, o Kenny e o Richard fomos cantando a abertura de American dad e family guy o caminho todo. O bom de ter um amigo chamado kenny, punk, grande, mal e bobo [além do fato de que vc pode gritar OH MY GOD, THEY KILLED KENNY, o tempo todo] é que vc pode chamar ele de nazista, comunista, fazer MUITO peitinho , derrubar a bicicleta dele na neve QUE ELE NUNCA VAI REVIDAR! no final do dia ele ainda solta um "i'm starting to like foreigns, but only brazilians". G-E-N-I-A-L!


Sensacional mesmo é o cartaz na frente do Rembrandt anunciando a noite do dia 13 de fevereiro "CARNIVAL DE BRAZIL". eu não sei que língua o cara tentou usar no anúncio, mas com certeza não foi português. Não foi espanhol também, pq até onde eu sei, Carnival é inglês. ENFIM, dia 13 vou voltar lá pra ver como funciona. O cartaz prometia sexy brazilian dancers. QUAL A CHANCE.

eu tenho algumas poucas fotos de ontem: www.flickr.com/liavrichir caso alguém tenha interesse nessa vida de primeiro mundo.

ah, vale prestar atenção na frase que o Kenny fez questão de proferir. Até agora os holandeses tem se mostrado BELOS RACISTAS. Eles tem problemas com turcos e muçulmanos aqui, e vice-versa. Pelo o que todos contam, as pessoas imigram pra cá e vivem do dinheiro do estado, sem trabalhar. Frequentam as mesmas escolas que os locais e são muito violentos em relação aos holandeses.
Quando um holandes vê um negro, pardo ou que seja, CHUTA QUE É MACUMBA! As piadas racistas são infindaveus e muito pesadas. Imagino como seria a vida aqui se eu fosse negra, se eles me tratariam do jeito como tem tratado.

beijos de sexy racist brazilians!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

15 coisas que me fazem falta

1 - Ônibus sujos e lotados, mas que pelo menos eu sei da onde e pra onde vão
2 - GUARDANAPOS
3 - Requeijão
4 - Fazer piadas e ser entendida
5 - Nx Zero, fresno e etc tocando nas rádios. Deu de cantores holandeses e Pitbull o tempo todo
6 - Sol
7 - Trânsito
8 - Trancar a casa
9 - Almoçar algo que não seja sanduíche de algo doce
10 - Levantar as 7h da manhã e não ter que pedalar
11 - Fazer algo de tarde, que não seja ver tv e usar o computador
12 - Burlar as aulas de educação física
13 - Taxi
14 - Amigos que não cospem ou arrotam ou fumam o tempo todo
15 - Gente na rua. ONDE TÁ TODO MUNDO?!

sábado, 23 de janeiro de 2010

T.G.I Friday

Apesar do meu último post ser um pouco desanimador em relação aos próximos dias da minha nova vida, tenho coisas, coisas e coisas pra contar sobre o fim de semana que não prometia, mas cumpriu.

Como o colégio ainda está em provas eu e a outra intercâmbistas [Li, de Taiwan] resolvemos sair juntas e ir até Emmen, que é única cidade grande próxima. São uns 2o minutos de trem, sem problemas. Marcamos então as 14h na estação, eu iria para Emmen para encontrar a Jade [minho nova prima que mora em Klazienaveen e estuda em Emmen] e a Li e uma outra amiga iriam ao cinema. 13:45 lá estava eu, esperando por elas. Os trens saem de meia em meia hora pra Emmen, e eu esperei por ela até perder dois trens. Quando finalmente chegaram, as duas não conseguem comprar passagens pro trem. O problema era que o cartão dela estava bloqueado. Ao invés de me explicar o que acontecia, elas simplesmente DESISTIRAM de ir. Óbvio que eu precisava delas pra chegar em qualquer lugar fora do quintal de casa, e com muita luta consegui entender a situação e emprestar dinheiro pras duas ANTAS. Acho que dá pra imaginar como meu humor ficou [literalmente] congelado.
Enfim, a novela segue por páginas e páginas. Me perdi, peguei o ônibus errado, desci no ponto errado, paguei o que não devia, enfim, ala brasileira.

Em resumo, consegui encontrar a Jade em Klazienaveen e planejamos voltar a Emmen a noite. Acontece que o host pai da Jade, o William tem 38 anos e saiu pra night antes da gente, e nós demoramos tanto pra sair de casa que resolvemos deixar Emmen pra lá e ficar na cidadezinha mesmo. Fomos ao único bar do recinto, e ÓBVIO que encontramos o Willian lá.
O bar estava lotado de metaleiros estilo falidos, todos na faixa dos 30 pra cima e nós, pequenas garotinhas de 17 anos obviamente seriamos devoradas vivas pelos monstros de 3 metros. Imaginem uma cena de filme ruin, onde os monstros se transformam em crianças ligeiramente altas, sorrindo estupidamente e tentando arranhar um inglês sujo, tudo ao som de Rammstein e Matanza.
Ficamos por lá até umas 3h da manhã, fazendo piadas e ofensas em português, que obviamente eles acharam uma gracinha.

A noite acabou no snackbar ao lado do bar, com a tradicional carne de ovelha e música ruim. Vale mencionar o sobrinho do Willian, que tinha um nome do tipo Marko, sombrancelha taturana e cabelo de cebolinha. Ele tentou nos acompanhar a noite toda, e depois do lanche se despediu e foi para outra festa [não sem antes mencionar sua tatuagem do pikachu em lugares inadequados].

Conclusão da noite: os pais holandeses estão em eterna crise de meia idade, e não há nada de errado em tirar proveito disso.
[www.flickr.com/liavrichir]

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Lesson learned and the wheels keep turning

literalmente, the wheels keep turning. Estou começando a pegar o jeito na bicicleta, mas nem por isso deixei de levar um tombo histórico no centro comercial de Coevorden.
Nos meus primeiros dias como motorista, minha irmã mais velha [Odette, 12 anos] me mostrou o caminho. No terceiro dia, tive que voltar sozinha. Por sorte a Rosalie [que foi a menina que se ofereceu pra me mostrar a escola] trabalha no centro da cidade e fez um pedaço do caminho comigo, então não me perdi. Acontece que eles dirigem muito bem e não entram em pânico quando as biciletas ficam muito próximas. Eu entrei em pânico e cai 90º pra esquerda, no que restou da neve. As dores que sobraram foram só as da vergonha.

O frio está começando a se desfazer, já chegamos no 5ºC, então o que era neve virou barro e agora garoa o dia todo. Minha rua parece um filme de terror, absolutamente deserta, cheia de neblina, casas afastadas e vazias e árvores peladas, estilo branca de neve. Ontem quando fui passear com o cão voltei em dez minutos, a coisa está muito assutadora. O nível de suicidios sobe nessa época do ano de tão feio que a coisa fica.

Além disso, de vez enquando o filme de terror vira de comédia, daqueles que o portagonista consegue foder TUDO em que ele coloca as mãos. Já enxarquei a cozinha, sujei o cachorro, sujei toda a louça lavada, esqueço tudo que me pedem, e quase quebro a cafeteira todos os dias. GRAÇAS AO SENHOR minha família é muito paciente e leva tudo numa boa, estou me sentindo uma anta incompetente!

Bom, nos próximos dias minha escola está em semana de provas, o que significa que eu tenho férias até quinta feira. Não esperem grandes notícias, vou passar todos os dias afundada no holandês e quem sabe começo a entender algumas aulinhas.


Beijos!

[www.flickr.com/liavrichir]

sábado, 16 de janeiro de 2010

15 fatos bizarros sobre holandeses

1 - Eles naõ comem e não sentem fome
2 - Eles NUNCA usam o banheiro, qualquer que seja a finalidade
3 - Eles não usam guardanapos
4 - Eles bebem café ruim o dia todo, mesmo no calor
5 - Eles são tão altos que quando você encontra alguém de 13 anos, pensa que ele tem 27
6 - eles comprimentam qualquer ser humano com um selinho e três beijinhos
7 - eles tem MUITAS espinhas
8 - Eles/elas são todos[as]iguais: brancos e loiros
9 - As pessoas usam salto alto na escola, mesmo que isso signifique subir e descer escadas tropeçando o dia todo
10 - eles arrotam. MUITO e o TEMPO TODO
11 - velhos holandeses são piores que velhos brasileiros
12 - eles fazem piadas racistas com todo tipo de raça e religião. MUITAS e o TEMPO TODO
13 - Eles não cumprem horários. Seja mais cedo, seja mais tarde
14 - eles comem pão com granulado, caramelo e açucar refinado [em sanduiches separados]
15 - eles se auto-apelidam de fazendeiros.

fim, 15!

Quando o assunto interessa

Conto dos meus novos e queridos amigos, escola e tudo que interessa.

Meu primeiro dia de aula foi excepcional. Pude chegar as 9h e perder as duas únicas aulas de educação física da semana [graçasadeus], e assim que cheguei recebi dois buddys que ficariam responsaveis por me mostrar aquela cidade que eles chamam de "escola pequena do interior".
Fiquei em choque quando vi as meninas que estudam lá. Todas MMUITO maquiadas, vestidas como se fossem pra ópera, salto tamanho 15, e eu de calça jeans e all star.
As duas que se ofereceram pra me ajudar [Rosalie e Iris] não eram diferente dessas, mas talvez o salto delas fosse mais baixo. Elas me apresentaram pra um grupo enorme de pessoas, e logo no primeiro dia fui convidada pra minha primeira dutch party.
Por enquanto, ir pra escola não tem sido um sacrifício, estou apaixonada pelos meus novos amigos.
A tal da festa foi ontem [sexta, dia 15]. Meus host parents estavam um pouco preocupados por não conhecerem nada direito, então cheguei cedo e fui embora cedo, mas mesmo assim, o tempo todo em que eu estive lá, todos falaram inglês e me explicaram detalhadamente os costumes, comidas e etc. Alguns se ofereceram pra me mostrar a cidade depois da aula, mesmo que não tenha muito pra mostrar.
Ah, em relação a festa em si, aviso aos navegantes que foi absolutamente igual as festas brasileiras. Eles jogam eu nunca, sueca, dançam Lady Gaga e tudo que nós sempre fizemos, drogas zero. Nem todos eles gostam do mesmo tipo de música e filmes que eu, mas os que gostam são viciados e sabem todas as falas de cor. Me senti um pouco em casa e um pouco homesick.

Deixo as más notícias brasileiras pra depois, por enquanto as coisas andam muito bem e quero que assim fiquem por mais tempo.

Beijos!

Primeiros dias, primeiras notícias

Olá, mundo!

Parece que finalmente decidi deixá-los a par do que se passa aqui nos países baixos. Peço desculpas pelos erros de português, mas faz quase duas semanas que não pratico a língua mãe, então estou enferrujando um pouco.

Bom, eis a minha vida:

cheguei em Lettele dia 04 e até dia 09 fiquei em orientação. Foi interessante conhecer os outros intercâmbistastas que estão por aqui [dentre sete, seis são brasileiros], todos muito legais, mas só vou vê-los em abril por alguns dias. O irmão da minha host mother também adotou um intercâmbista, o que significa que tenho parentes brasileiros a apenas 25 km de casa. Minha nova prima chama Jade, e nós nos entendemos muito bem, obrigada.

No fim da semana de orientação, dia 09, nossas famílias vieram nos buscar. Acho que dei uma super sorte, pq minha família é absolutamente maravilhosa. Minhas irmãs não falam muito bem português, mas nós nos entedemos através de linguagem corporal. O Ard e a Marion, meus host parents, não se incomodam com nada e são super liberais. Chega a ser assustador.

Ontem, dia 13, foi meu primeiro dia de escola. Apesar de não falar uma palavra de holandês, todos foram mmmuito atenciosos, falando inglês o tempo todo e me apresentando para todos os professores. As aulas são um tédio, já que não entendo nada do que se passa, mas já estou começando a pegar o jeito, e quem sabe logo menos vou entender tudo.

Dei uma sorte e fui convidada pra minha primeira festa holandesa na sexta, Dei um azar e a festa vai cair no mesmo dia do aniversário da minha host vó. A Marion diz que eu devo ir na festa dos meus novos amigos, mas eu acho importante ir no aniversário, conhecer a família e rever a Jade. Ó DÚVIDA, Ó CÉUS!

Ah, caso vocês estejam pensando sexo, drogas e rock'n'roll, tenho uma grande decepção pra vocês. Aqui é muito comum fumar cigarro, mas drogas zero. A festa de sexta vai ser na casa do Victor, ele e todos os outros deixaram muito claro que não fumam maconha nem nada do gênero, tive a impressão que a boca livre está no Brasil. E claro, tive que ouvir perguntas como "no rio todo mundo anda de top less?". E eu pensando que a Holanda era o país mais liberal do mundo!

Acho que já escrevi demais pra um primeiro post, mas no próximo posso falar um pouco sobre as pessoas daqui e etc!

beijos de primeiro mundo!

ps.:ignorem os posts antigos, não são interessantes.