A família era a típica. As conversas não variavam. Falavam sobre amor e estudos:
- Já arranjou um namorado?
- E faculdade? Já decidiu? Medicina?
Cada ano eu crescia dez centímetros e meu irmão ganhava peso. Éramos lindos, perfeitos, e quanto tempo hein?!
A ala masculina falava sobre a bolsa, ações.
Como qualquer um de nós, eu preferia estar em outro lugar, e apesar dos esforços que todos faziam para fingir que estavam se divertindo, o sentimento de tédio era o mesmo.
Mas a meia-noite, qualquer pensamento, promessa, ação, tudo se perdia. A vista do apartamento, direto para a praia, era um camarote para a queima de fogos.
O jogo de luzes que dançava no céu sem estrelas e a cidade iluminada, combinados com o cheiro de queimado.
A família era tediosa, mas era a família mais feliz do mundo.
A falta de assunto me fazia rir e minha vontade de estar em outro lugar era insignificante.
Naqueles quinze minutos de festa nós éramos felizes e nos amávamos. Por um minuto, nada importava.
Eu amava o ano novo.

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