quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Que diferença isso faz?

Não sei se vou voltar a escrever aqui, sei que há alguns dias tenho tido uma coceira na ponta do dedo, e escrever não ofende.

Hoje por algum motivo senti uma pontinha de indignação enquanto estudava qualquer ponto de história. Percebi que de um jeito ou de outro, eu esqueço das coisas em uma velocidade fora do comum (ou comum demais). Talvez esse seja um problema meu, mas não estou falando de fórmulas de física nem de coisas desinteressantes. Estou falando do ano passado, do livro que li há dois dias. Eu sinto minha memória se desgastando antes de completar duas décadas de existência.

Eu estou irritada. Com qualquer coisa, qualquer um, sem motivo. Não que isso esteja em exposição. Que direito tenho eu de explodir com o primeiro que me aparecer, só porque mudei de humor de um segundo pro outro? Mas a verdade é que fico sorrindo quando alguém me esbarra no ônibus enquanto por dentro eu já criei palavrões em todas as línguas que conheço e se soubesse braille ou código morse, teria dado um jeito de gritar baixinho.


Já nem lembro mais porque disse isso.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

I'm getting nervous

Falta um mês.

A coisa começa a tomar forma na sua cabeça quando falta um mês. Eu achava mesmo que queria voltar pro Brasil, que as saudades estavam apertando, mas agora tudo muda de figura. Explico:

As coisas na escola nunca estiveram bem. Agora elas estão melhores, o que não significa muita coisa. A notícia boa é que depois dessa semana, faltarão só 7 dias de aula, e vários dos professores vão estar viajando com a turma abaixo. LEIA-SE, horas livres e tempo pra dormir!
Eu já perdi as contas do que escrevi e do que não escrevi e de quantas semanas passaram, mas vou falar mesmo sobre os weekends.
Era uma vez um aniversário que foi comemorado em Groningen, com uma boneca inflável, filme de terror russo e confusão. Sem contar que foi o final de semana da depressão, já que entendemos que nosso tempo chegou ao fim e sabe-se lá quando vamos nos encontrar de novo. Foi uma despedida meio deprê, dessas que não são definitivas, mas todo mundo sabe que duas semanas demoram pra passar, e são só um presságio de que o que vem por aí vai doer muito mais.

Na sexta seguinte cheguei em casa e em 5 minutos estava na estação de trem. Destino: Coevorden. Aniversário das colega holandesa que dão festa com tema de Playboy. Recebi o convite com um coelho e uma Pin-up na frente e pensei 'isso não vai dar certo'. Eu tentei, mas minha cabeça não funciona de acordo com a holandesa e o que eu achei que estava no tema era na verdade porra nenhuma.
Não importa. Foram milhões de abraços e fofocas mil. A gente sabe que sexta feira é só alegria.
Dormi na casa de duas amigas gêmeas e no dia seguinte fui até a cidade encontrar outras. Compras, comida, fofoca. O de sempre, comer, rezar e amar!
Sábado a noite recebi uma carona pra visitar os amigos que não se integram. É morrer de amor por um quarto apertado e fedido, com um computador, uma TV e uma cama, além de 8 pessoas [de estatura holandesa] que tentam se espremer e ignorar toda a situação pra poder conversar. Eis a prova de que não precisa muito pra conseguir uma noite épica, mas jogar Pokemon Stadium é indispensável.
Domingo, como sempre, o dia de chorar. Voltei pra casa na bipolaridade esquizofrênica que já me acostumei, pra enfrentar outra semana de tédio e expectativa.

O final de semana seguinte não me arrisco a contar. Mando um e-mail daqueles mais tarde, já que foi questão de quebrar regras [várias delas] e eu aprendi do jeito errado que não se coloca tudo na internet.

Hoje, quarta feira 13, fiz uma apresentação épica sobre o Brasil, com direito ao é o tchan e tudo! Um fato notável sobre esse lugar é que todas as pessoas aqui se parecem com alguma celebridade. Já achei Beto Bruno, John Lennon, Jack Black, William Becket e so on. Certos passatempos não exigem nada além da imaginação de uma brasileira entediada.
E agora me encontro no meio da semana, esperando a sexta feira pra poder ver os brasileiros de novo e já logo me despedir de verdade de um deles. Guenta, coração, não acredito que já estamos no fim do ano.
Não acredito que já estou me preocupando com fazer malas. É o tipo de data que você achou que NUNCA chegaria, como o aniversário de 18 anos ou terminar o colégio. Acontece com os outros, mas não comigo. Meio surreal sentir a vida começar.

Pois eis que chega roda viva e carrega a roseira pra lá [e minha filosófica depressão também]

beijos de uma suicida em potêncial

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Certas declarações

para um pequeno update.

No último final de semana, além de ficar doente, encontrar brasileiros, conhecer a chamada "Veneza holandesa", conhecer gente nova e todas aquelas coisas as pessoas normalmente gostam de fazer em finais de semana, eu também passei mais de 9h entre trens e ônibus e gastei uma fortuna em passagens. A última parte seria dispensando, se eu não tivesse inventado de visitar minha primeira cidade, o grande império de Coevorden a menor e melhor cidade do mundo!

Mesmo passando só algumas horas e não me afastando muito da estação, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

No caminho de volta, a unica coisa em que eu conseguia pensar era em como esse ano [ou esses primeiros seis meses] foram os melhores que eu já tive. Se por algum acaso meus conselhos são válidos pra alguém, eu aconselho que escolham uma cidade de 15 mil habitantes no meio do nada e lá fiquem. Eu entorto o conceito de que casa só tem uma.

Certas declarações devem ser feitas. Algum dia eu posto de novo - quando algo de interessante acontecer nesse lugar, ou quando parar de chover.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Spread a little something to remember

Depois de passar por Israel, voei até Vienna, Paris e Amsterdam, onde ficamos por uma semana. Fim das férias, estou de volta ao lar, porém, não é o mesmo lar de sempre.

Não sei se eu já expliquei isso aqui, mas como meu intercâmbio era, inicialmente, de apenas seis meses, minha primeira família holandesa não pode me receber por mais tempo e por isso, tive que mudar de casa, família, escola, cidade e vida. E cá estou, começando do 0. De novo.

Quando cheguei em Den Bosch [ou Hertogenbosh ou Rosmalen, chame como preferir] tive uma semana antes das aulas começarem. Direto ao assunto: comprar bicicleta, minha querida maldita.
Levou um tempo, mas eu me acostumei com o bicho novo. Ela é marrom e usada e feia, mas pelo menos é minha e eu posso estourá-la até onde eu quiser. Eba!
Na quinta, eu e minha nova família fomos passar uns dias na praia!
NA HOLANDA TEN PRAYA??!111// sim, tem.

Voltando, terça feira [mais precisamente ontem] teria sido meu primeiro dia na escola. Mas não oficialmente, já que minha mentora decidiu que seria bom ir na introdução da turma 4 e andar de bicicleta, jogar futebol e todas essas coisas que eu sou absolutamente LOUCA por. - JÁ QUE EU SOU DA TURMA 5!
Bom, o dia estava marcado pra começar as 9h e já que sou uma pobre coitada brasileira, ganhei carona de um dos professores. Acontece que estava chovendo, e ninguém me contou que o negócio foi atrasado. Pras 11h.
Quando finalmente chegamos no lugar, a tal da mentora me entregou na mão de um grupinho e lá fiquei. Por sorte do acaso, o tal grupo decidiu ficar sentado o dia todo e não participar das malditas atividades que a escola propos. Acontece que professores e diretores acham que qualquer um abaixo dos 25 anos, adora escalada e paintbal e rolar na lama. Não é bem assim.

Acabado o dia, fiz amigos preguicosos que se dispuseram a me ajudar bastante.
Porém hoje, no meu primeiro dia de REALMENTE AULA, a escola atrasou com meu esquema de aulas e fazendo confusão, me colocaram pra fazer QUÍMICA! JUUSTAMENTE Q-U-Í-M-I-C-A!
Por sorte, foi a única aula que eu tive que fazer no dia todo. Por azar, a mentira decidiu me levar até a sala de aula e me anunciar na frente de 30 desavisados que não dão a mínima pra quem vem e vai. Ela ainda fez o favor de perguntar se alguém GOSTARIA de se VOLUNTARIAR pra me ajudar. Óbvio que 8573489574 pessoas se ofereceram. Há, quem me dera.

Quem se ofereceu foi um colega mais alto que o teto, de óculo e zilhões de trejeitos pouco confiáveis. O tipo de sujeito que você bloqueia no msn. Os fofinhos sentados atrás de mim acharam um belo espetáculo. Acabada a aula agradeci a ajuda e fui embora. Pedalar 7 km até alcançar território neutro: casa.

Fim do dia. Amanhã vou a guerra, versão nº 2.
Beijos químicos

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

De volta ao normal

Na ultimas semanas estive trocando de casas e aprendendo muito sobre os Avrichirs.
Aprendi que tive um tatatatatatatataravo milagreiro que salvou uma populacao, e que ele na verdade era russo.
Descobri que tenho tios-avos, primos de 5o grau e familia ate nao aguentar mais.

Mas, fora isso, tambem fui a Jerusalem, Massada, Mar Morto e tudo que se ha pra ver nesse pais, que por sinal, eh maravilhoso.

O Mar Morto, pra quem nao sabe, e um mar com uma concetracao de sal ridiculamente alta. O chao nao tem areia, mas pedregulhos brancos de sal que foi se acumulando. Ele eh quente, e se a temperatura ambiente era de 36 graus, o mar estava a 40. Nadar nele eh que nem mergulhar em um prato de sopa e virar legume.
Perto disso, fica a montanha de Massada, que eh uma montanha isolada, que tem o tampo liso. A historia da montanha eh super chocante, mas nao vou sair contando tudo [www.google.com]

E Jerusalem, claro! que te faz suar, andar, reclamar, sofrer, mas vale a pena. Os mercados formam o cenario de Aladdin, e a quantidade e tipos de pessoas que batem perna por la, eh melhor que sentar no metro da praca da se e fotografar o dia inteiro.

Os souvenirs sao lindos. Agua da terra sagrada. Terra da terra sagrada. AR da terra sagrada. Eu nao me contive e comprei varios potinhos desses.
Lama do Mar Morto. Piscina do mar morto. TUDO que se tem pra inventar, esse povo inventa. E o pior, inventam e fazem sucesso!

Ah, perto da cidade onde eu estou, tem um museu que se propoe a simular cegueira e surdez. Visitamos a sessao do surdo, onde voce passa mais de uma hora sem usar a audicao, aprendendo um pouco de linguagem de sinais e entendo um outro mundo. Ja que eu nao entendo nada de hebraico, seria meio dificil ir na dos cegos. Nao ver nem ouvir e ser um pouco Hellen Keller.


Acho que por enquanto foi isso. Em alguns dias deixo a terra sagrada e me mando pra Vienna. Ate voltar pra Holanda acho que nao terei acesso a internet.


Beijos surdos

Um pouco fora dos eixos

estando em Israel, ja recebi milhoes e trilhoes de piadas e perguntas estupidas.
Tais quais:
- CE NUM TEM MEDU DE BOMBMAN!!11??
-Tem vida em Israel?
- Falta agua quente em Tel Aviv?
- Suas primas vao de camelo pra escola?

Entao decidi fazer um post um tanto quanto fora dos padroes, pra esclarecer que sim, existe vida em Israel.
Para leigos:
1. A Faixa de Gaza fica DENTRO de Israel, a mais ou menos 2h de Tel Aviv
2. Tel Aviv e todas as cidades que por aqui ficam, sao tao normais quanto Sao Paulo ou Rio de Janeiro
3. Nem toda a populacao de Israel eh ortodoxa. Alias, parte dela nao se apega a religiao nenhuma

Para um pouco menos leigos:
1. Jerusalem eh a capital religiosa de Israel, considerada pelos cidadaos. Tel Aviv e a capital que o resto do mundo considera.
2. Israel fica sim no meio do deserto, mas isso nao significa que as pessoas vivam em tempestades de areia
3. O exercito, apesar de mal julgado por nos - pessoas de fora - nao eh um mal sem fim. Alias, muitos daqueles que NAO podem se juntar ao exercito, se voluntariam. Existem mil tipos de servico, e nem todo mundo vai direto pra campo de batalha. Muitos trabalham em escritorios, hospitais e etc, em servico militar.
4. Programas de TV, museus, restaurantes - tudo que inclui ideias criativas - dao de 10000 a 0 nas brasileiras.
5. A diferenca entre Israel e outros paises, eh apenas o tipo de medo e os problemas de cada um. Se em Sao Paulo temos medo de assalto, no Rio de bala perdida e drogas, e se um dia a bateria do seu celular acabr e sua mae nao conseguir falar com voce, ela vai ficar desesperada, aqui eh a mesma coisa. So que ao inves de se preocupar com violencia e seguranca, eles se preocupam com outras coisas.

Para mim:
1. Uma parte enorme da minha familia mora aqui, e meu pai nasceu aqui. Por isso decidi vir pra ca antes de visitar lugares como Londres ou Praga.
2. Hebraico eh pior que holandes, mas eu vou aprendendo
3. Humus e Falafel sao pratos tipicos, mas eles comem mais sushi e comida italiana que sei la o que
4. Nao, minha familia nao eh ortodoxa, na verdade, mal seguem religiao nenhuma.


pronto, fim da licao. Vou escrever outro post falando da viagem.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ferias e acentos

Antes de qualquer coisa, aviso: prepare-se para um post cheio de erros gramaticais e sem acentos NENHUM!
E a justificativa eh muito simples: teclados israelenses nao tem tantos acentos quanto os brasileiros. Porem, eles levam vantagem, tendo isso: חדגכיגח גכיחגעדכ גכדיעדג
INCRIVEL!

Enfim, eu ando viajando e aproveitando minhas longas ferias de verao na Europa. No momento estou em Israel, mas ja estive em Portugal e estou atrasada pra burro nos relatos. La vamos:
Cheguei em Porto com o Iuri a mais ou menos 3 semanas atras. Nos hospedamos na casa da tia dele, que mora em Leiria. Aquela coisa de turista brasileiro: fomos a Lisboa, Fatima, Porto, comemos bacalhau, tomamos Guarana, falamos mal da Holanda e fomos incrivelmente FRUSTRADOS na hora de procurar algum lugar legal pra passar a noite. Aparentemente, portugueses nao curtem muito o por do sol e se trancam em casa depois de assisti-lo pela televisao. Mas nao se enganem. portugueses sao uma raca absolutamente simpatica, com aquele sotaque maravilhoso.
Certo dia, nos decidimos sair pra praticar o holandes. Entramos em todas as lojas falando Ik hou van jou e coisas do genero. Claro, pq somos muito fodas e PRECISAMOS mostrar isso em publico.
A noite, fomos a um bar, ainda sem falar portugues. Um espanhol, vestido a carater, fez questao de perguntar de onde nos somos. CLARO que eu esqueci que a final da copa do mundo seria HOLANDA X ESPANHA, e respondi com o maior orgulho: NETHERLANDS, BEST COUNTRY EVER! ele me encarou uns 30 segundos, tempo o suficiente pra que eu me lembrasse e tentasse arrumar o estrago: ...are you ready to lose?
tah, perdi o amigo e a coragem pra qualquer coisa. voltamos pra casa, falando portugues, e nunca mais voltamos ao tal do bar.

O resto da viagem a Portugal foi basicamente turismo. No bom sentido, claro, nao quero dizer turismo japones.

Bom, chegando em Israel as 4h30 da manha com 5 horas de atraso, nao consegui encontrar meus tios no aeroporto, me virei e peguei um taxi. O taxista nao entendeu meu sotaque brasileiro e ligou pra minha tia perguntando o endereco. CLARO que ela SURTOU e a familia toda entrou em PANICO, mas a essa altura eu ja tinha conseguido atingir a casa. As 6h da manha voltamos ao aeroporto e voamos pro sul de Israel. Uma cidade chamada Eilat, que fica no meio do deserto e eh chamda de "sin city". eu ainda nao sei o que sin city significa pra eles. acho que nunca vou saber.
Cheguei a casa 2 dias atras e ca estou. Uma das minhas primas vai comecar o exercito domingo, entao estamos no clima de despedida.

Voces nao sabem, mas familia judia eh ooooutro papo. maior delicia!

chega, vou embora.
נקןחםד גק שצםר